É de impressionar o atual cenário que traduz o crescimento do uso de tecnologia e suas variáveis no dia a dia. Temos feiras, eventos, exposições e congressos de toda sorte, com recurso artificial em crescente escala e movimento de horizontalização e transversalização (que atinge diversas áreas do conhecimento), a partir do fenômeno do acesso, que entendemos que seja a grande variável.
Um dos indicadores mais importantes para a compreensão da disponibilidade à tecnologia e, por conseguinte, ao mundo digital, baseia-se no número de brasileiros que utilizam a internet, que continua crescendo: subiu de 67% para 70% da população, o que equivale a cerca de 126,9 milhões de pessoas.
Esse índice faz parte da nova edição da pesquisa TIC Domicílios, que afere dados sobre conexão à internet nas residências do País. A consulta feita anualmente pelo Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic) é uma das principais no Brasil.
Outro aspecto avalia como essas pessoas acessam a internet. Segundo a pesquisa, em 2018, acompanhando a tendência do ano anterior, o celular consiste no meio preferido entre os brasileiros, com 97%, patamar muito parecido com o de 2017, que foi de 96%. Esse dado inclui pessoas que usaram celular e computador ou apenas o aparelho móvel.
Comparando aos meios tradicionais, com base no estudo, podemos dizer que o computador, porém, tem diminuído sua participação como dispositivo de conexão utilizado pelos brasileiros. Em 2018, 43% responderam esta alternativa, ocorrendo uma queda em relação ao ano anterior, quando a margem era de 51%. Lembramos que na série histórica, em 2014, o dispositivo predominava como meio de acesso para 80%, sofrendo queda gradual desde então. No mesmo período, houve a ascensão do celular, que era usado por 76%.
Mas temos, ainda que com uma crescente e ágil dinâmica dos meios favoráveis para a disseminação das TICs (Tecnologia, Informação e Comunicação), a existência de barreiras históricas que fazem a diferença na construção e no desenvolvimento de novas competências, como o caso da falta de acesso nas áreas mais longínquas dos territórios urbanos ou mesmo nas definidas especificamente como rurais.
O uso do aparelho celular é ainda mais acentuado entre a população mais pobre e os que residem em regiões campestres. Na zona rural, 77% se conectam exclusivamente pelo dispositivo móvel e 20% usam celular e computador. Alerta-se ao fato que 43% das escolas rurais não têm internet por falta de estrutura, prejudicando as ações voltadas à disseminação do conhecimento nos espaços apropriados para a discussão e formação com o coletivo.
Este fato chama a atenção porque uma das características mais marcantes do nosso tempo é a troca de conhecimento, experiência e vivências, princípios consagrados pelos Coworkings, espaços de trabalho, estudo e demandas variadas que privilegiam o convívio e o networking profissional. Então, começamos a avaliar que, no fundo, nem todas as questões que permanecem afastadas do conhecimento e das oportunidades que o mesmo proporciona estão baseadas na falta de competência propriamente dita, mas, muitas das vezes, na ausência de meio que estimule este amadurecimento.
Além de proporcionar a economia racional de tempo, espaço e recurso, o coworking, baseia-se na construção de um estado de criatividade com foco, porque, a partir de seus relacionamentos e discussões, as pessoas reciprocamente se estimulam e desafiam-se a procurar novos caminhos e superação para dificuldades e conflitos. E daí, aprimoram-se e descobrem as novas e tão valiosas competências no mercado.
Em realidade, as novas profissões surgem das recentes demandas e sempre impulsionadas por novas e desafiadoras ideias, a partir da concentração de esforços, da troca e da análise bem elaborada de pessoas que têm a experiência de usuários e consumidores cada vez mais vorazes por inovações e releituras de produtos e serviços que atendam às suas reais necessidades. Entretanto, muitas destas competências se baseiam em conhecimentos prévios, científicos ou empíricos, mas neles não são encerrados.
E voltamos ao estado inicial de nossa reflexão. As competências podem ser desenvolvidas com muito esforço, conhecimento, atitude e habilidades para as respectivas áreas. Porém, não é possível fomentar estas práticas se o essencial não estiver ao alcance de todos. A riqueza do nosso tempo se encontra em compartilhar, dividir para somar, e este consiste no princípio lógico, na fórmula para quem quer crescer. Socializar o conhecimento nunca fez tanto sentido, mas será impossível cobrar da parcela da sociedade, que anseia novos objetivos pessoais e profissionais, novas competências, sem ao menos resolver graves e velhos problemas de toda ordem e que impactam certamente nestes resultados.
O Estado, os órgãos públicos, as empresas privadas, os investidores, todos devem ter este olhar para o senso de continuidade. As interrupções podem ser tão danosas quanto o não iniciar. Causa traumas, desalentos e inconformismo. É preciso construir uma percepção mais madura e sensata para o cenário e suas variáveis.
Vamos empreender sim, olhar para frente, correr e executar, mas não sem antes apagar os vestígios, marcas e barreiras que tornam nossa arrancada tão difícil quanto a própria trajetória.
A nossa maior competência não é somente estar bem formado, escolher uma área dinâmica, promissora e rentável. Consiste em saber lidar com as dificuldades, ainda que alheias, sem que isso nos afaste do cumprimento da rota inicialmente planejada.
Seja veloz sempre que preciso, porém admire todas as paisagens do caminho, pois bonitas ou não, elas nos ensinarão algo que nos facilitará entender o sentido e propósito da viagem empreendedora. Vamos em frente!

Gustavo Oliveira, coordenador do curso de Administração da Faculdade Santa Marcelina e Docente no curso de medicina e administração. Além disso, atua na gestão executiva no Hospital Santa Marcelina, é Mestre em Administração e Doutorando em Desenvolvimento Territorial e Meio Ambiente, Linha de pesquisa Dinâmicas Territoriais, Políticas Públicas e Vulnerabilidade Social. Compliance Officer na Rede de Saúde Santa Marcelina, Coordenador de Pós-Graduação e Consultor da AAGAPE na área de saúde, negócios. Responsável pela gestão de projetos e programas educacionais.